Em outubro temos uma sexta-feira extra, então isso significa Be News Extra! E, pra hoje, trouxemos um tema pouco explorado…
Muito se fala de rotina de skincare, mas a verdade é que nossos cuidados tendem a parar exatamente onde termina o espelho.
A gente limpa, hidrata, esfolia, trata manchas, controla oleosidade, usa séruns, máscaras, óleos, ácidos…
Mas, quando chegamos às regiões íntimas, parece que entram em cena outras regras e, muitas vezes, muito mais vergonha, desinformação e marketing.
Tem quem diga que sabonete íntimo é indispensável, mas também tem o time que acredita que apenas água basta. Tem clareadores, hidratantes, lenços e até perfumes.
Mas o que realmente precisamos incluir na nossa rotina de cuidados íntimos, e o que é apenas mais um empurrãozinho pra nos fazer gastar mais sem necessidade?
Vamos lá, porque hoje vamos descer um pouquinho mais. 🔥
Vamos começar pelo básico, porque talvez essa seja uma das coisas que menos aprendemos sobre o nosso próprio corpo.
Vulva é o nome dado à parte externa da genitália feminina: inclui os grandes e pequenos lábios, o clitóris, a abertura da uretra e a entrada da vagina.
Vagina é o canal interno.
E essa diferença importa bastante quando falamos de produtos.
A maioria dos cuidados de higiene e beleza de que estamos falando nesta news diz respeito à vulva, ou seja, à parte externa.
A vagina possui mecanismos naturais de limpeza. Por isso, duchas vaginais e produtos para “limpar por dentro” não são necessários.

Talvez você esperasse uma rotina de 7 passos.
Mas aqui a resposta é quase o oposto:
Menos é mais.
A higiene da vulva deve ser delicada. Água costuma ser suficiente. Se você optar por usar um produto de limpeza, prefira uma fórmula suave e sem fragrância, exclusivamente na parte externa.
E sei que amamos estar cheirosas, mas a região íntima não precisa — e não deve — cheirar a perfume.
Aliás, quanto mais produtos diferentes você adiciona, maior pode ser a chance de irritação.
Eles podem ser uma opção para quem gosta de usar um produto na higiene externa, mas não são uma necessidade.
O fato de um produto estar escrito “íntimo” na embalagem não significa automaticamente que ele seja o produto ideal pra você.
A região íntima é delicada, então, na hora de escolher, vale olhar além do marketing:
✔ fórmula suave
✔ preferencialmente sem fragrância
✔ sem promessas milagrosas
✔ uso exclusivamente externo
✔ marca confiável
E, principalmente: se um produto causa ardência, coceira, ressecamento ou irritação, suspenda o uso.
Não.
E talvez essa seja uma das maiores armadilhas do chamado “intimate skincare”.
A tonalidade da vulva varia naturalmente de pessoa para pessoa — e também pode variar ao longo da vida.
É perfeitamente possível que a vulva seja mais escura que a pele das coxas, da barriga ou do rosto.
Isso pode acontecer por características individuais, genética, hormônios e pelas próprias variações naturais da pele.
Porque existe um mercado inteiro construído em torno da ideia de que determinadas regiões do corpo deveriam ser mais claras, uniformes ou “rosadas”.
Um padrão de beleza construído que, no fim, acaba mexendo com a nossa cabeça, né?
Mas uma vulva mais escura não significa uma vulva menos saudável.
E vamos combinar que clarear uma região por uma questão puramente estética não é uma necessidade de saúde.
Além disso, a pele da região íntima é sensível. Produtos potencialmente irritantes podem causar inflamação, desconforto e até alterações de pigmentação.
E não tem essa de “vulva bonita é vulva uniforme”.
Vulvas têm diferentes formatos, tamanhos, cores e características. E todas elas podem ser normais.
Existem, sim, produtos comercializados especificamente para uniformizar a tonalidade da pele da virilha, grandes lábios e outras áreas externas.
Mas aqui vale uma distinção importante:
“Existe um produto para isso” não significa “você precisa fazer isso”.
Se a questão for apenas estética, vale pensar duas vezes antes de aplicar ativos potencialmente irritantes em uma região tão sensível, especialmente sem orientação profissional.
E atenção: uma mudança nova, localizada ou persistente na cor da vulva não deve ser tratada simplesmente como uma questão estética.
Se tiver uma mudança recente ou importante de pigmentação, o melhor caminho não é começar a clarear por conta própria. É entender por que a pele mudou e conversar com sua ginecologista para saber a melhor indicação para a sua necessidade.
Essa é uma confusão bastante comum.
Embora os dois possam estar relacionados ao conforto da região íntima, eles não são a mesma coisa.
O hidratante vaginal pode ser utilizado para ajudar no manejo do ressecamento vaginal persistente.
Alterações hormonais, como as que acontecem na menopausa, no pós-parto e durante a amamentação, podem contribuir para esse ressecamento, assim como alguns medicamentos e outras condições.
Já o hidratante vulvar é aplicado externamente e pode ajudar no cuidado da pele da vulva quando há ressecamento ou desconforto.
É utilizado principalmente para reduzir o atrito durante a atividade sexual.
Ou seja:
Hidratante → cuidado com ressecamento
Lubrificante → redução de atrito
E isso importa porque algumas pessoas tentam resolver um problema de ressecamento interno usando apenas lubrificante durante o sexo, quando a questão pode exigir outro tipo de cuidado.
Como falamos acima, ressecamento persistente pode ter diferentes causas e merece avaliação profissional quando é recorrente ou causa desconforto.
Aqui temos uma pergunta importante:
A resposta mais honesta é:
A uma vulva. 😂
A região íntima tem um odor natural.
Ele pode variar ao longo do ciclo menstrual e também com suor, atividade física, atividade sexual e outras mudanças normais.
Isso não significa falta de higiene.
O problema é quando aparece uma mudança importante no odor, principalmente acompanhada de sintomas como coceira, ardência, dor ou alteração do corrimento.
Nesses casos, perfume não é a solução.
O ideal é procurar um profissional de saúde para entender a causa.
Aqui entramos em um território de preferência pessoal.
Remover os pelos pubianos é uma escolha pessoal e estética.
Não é uma exigência de higiene.
Se você opta pela depilação, o cuidado mais importante é com a pele:
evite passar lâmina sobre a pele seca;
use lâmina limpa e em boas condições;
evite depilar a pele se ela estiver sensibilizada;
evite produtos muito perfumados logo após a depilação;
dê atenção a sinais de irritação ou pelos encravados.
E uma coisa que vale lembrar:
pelo não é sujeira.
Eles existem por um motivo e o fato de você gostar de manter ou tirar é uma questão totalmente pessoal.
Agora a parte divertida.
Montamos uma pequena curadoria por função, porque produto bom é produto que resolve um problema real, não apenas uma insegurança criada pelo marketing.
Se você optar por usar um produto de limpeza, procure fórmulas suaves, sem fragrância e de uso exclusivamente externo.
Nossa lógica: limpeza delicada > excesso de produtos.



Um bom lubrificante pode fazer diferença no conforto durante a atividade sexual.
Base aquosa: versátil e fácil de remover.
Base de silicone: costuma durar mais e pode ser interessante em situações específicas.
Se você usa preservativo, confira sempre a compatibilidade indicada na embalagem. Lubrificantes à base de óleo podem danificar preservativos de látex.



Existem hidratantes vaginais e vulvares desenvolvidos especificamente para diferentes tipos de ressecamento.
Aqui é importante lembrar que hidratação é diferente de lubrificação.
Se o ressecamento for persistente, doloroso ou novo, vale conversar com um ginecologista em vez de simplesmente adicionar mais um produto à rotina.



Sempre tem!
A calcinha que você usa, se a roupa é apertada ou não, a troca de absorventes e não ficar por muito tempo com o biquíni molhado: tudo isso também faz parte dos cuidados.
Não adianta se preocupar com a estética e fazer skincare íntimo se não cuidarmos do básico.
Então vamos a alguns cuidados essenciais:
Prefira calcinhas de algodão ou outros tecidos respiráveis, especialmente se você costuma ter irritação ou desconforto. Eles ajudam a manter a região mais fresca e seca.
Evite roupas muito apertadas se elas causarem calor, umidade ou atrito na região.
Não fique com roupa íntima molhada por muito tempo. Se você suou bastante ou está com o biquíni molhado, troque quando puder, principalmente se a umidade estiver causando desconforto.
Lave suas peças íntimas adequadamente e enxágue bem, especialmente se você tiver sensibilidade a produtos de limpeza.
Depois de usar o banheiro, limpe-se da frente para trás, evitando levar bactérias da região anal para a vulva.
Lave as mãos antes e depois de tocar na região íntima ou trocar produtos menstruais. (A gente tem o costume de lavar as mãos depois de usar o banheiro, mas lavar antes é tão importante quanto!)
Porque, no fim das contas, não precisamos transformar a região íntima em mais uma área cheia de etapas.
O básico bem feito já faz muita diferença.
Nem toda alteração na região íntima significa que existe algum problema.
Mas mudanças persistentes ou importantes merecem atenção.
Procure sua ginecologista se perceber:
coceira ou ardência persistente;
dor;
feridas ou caroços novos;
mudança importante no odor;
alteração incomum no corrimento;
sangramento fora do esperado;
mudança recente ou persistente na aparência ou coloração da vulva.
A ideia não é transformar qualquer mudança em motivo de preocupação, é simplesmente conhecer o que é normal para você e saber quando vale investigar.
01. Vulva e vagina não são a mesma coisa.
02. A vagina não precisa de duchas ou perfumes.
03. Uma vulva mais escura não significa uma vulva menos saudável.
04. Lubrificante e hidratante vaginal têm funções diferentes.
05. Pelo pubiano não é falta de higiene.
06. Produtos podem complementar os cuidados íntimos, mas não substituem o básico.
07. Conhecer o seu corpo também é saber reconhecer quando algo mudou e procurar ajuda profissional.
Esta edição é informativa e não substitui uma avaliação médica. Em caso de sintomas persistentes ou mudanças que preocupem você, procure sua ginecologista.
Curtiram nossa edição extra?
A gente entende que a beleza feminina vai muito além daquilo que mostramos pro mundo. Informação também é uma forma de cuidado, e saber cuidar do nosso corpo, de dentro pra fora, é o que nos torna ainda mais maravilhosas.
Esperamos que você tenha curtido nossa edição extra. Na semana que vem, voltamos com a programação das nossas news!
Beijoos,
Ba & Ste
Conheça a edição que transforma autocuidado em sensação: texturas, aromas e utilidade real no dia a dia.
Preencha o formulário abaixo e nossa equipe entrará em contato.
Envie seus dados e currículo para fazer parte do nosso time.