Nos últimos meses, um ingrediente começou a aparecer em praticamente todas as marcas de skincare coreanas.
Medicube.
Anua.
VT Cosmetics.
Se você acompanha beleza nas redes sociais, provavelmente já esbarrou em vídeos falando sobre o PDRN, também conhecido como “DNA de salmão” — ou, como muita gente descobriu recentemente, um ingrediente obtido a partir do esperma de salmão.
A promessa é tentadora: regenerar a pele, estimular a produção de colágeno, acelerar a recuperação da barreira cutânea e até entregar resultados comparáveis aos de alguns procedimentos estéticos.
Mas será que ele realmente faz tudo isso ou é só mais um hype?
Hoje vamos descobrir o que a ciência diz sobre o PDRN e explicar tim-tim por tim-tim como ele funciona, por que virou febre no skincare e se vale mesmo um espaço na sua rotina.
PDRN é a sigla para Polydeoxyribonucleotide (ou Polidesoxirribonucleotídeo, em português).
Na prática, são pequenos fragmentos de DNA altamente purificados, normalmente obtidos do esperma de salmões ou trutas criados para consumo humano.
Sim. É exatamente isso que você leu.
Mas calma: isso não significa que estão “colocando DNA de salmão” na sua pele.
Durante o processo de fabricação, esse DNA é purificado até restarem apenas fragmentos biocompatíveis, ou seja, bem aceitos pelo nosso organismo. Esses fragmentos auxiliam os processos naturais de reparação dos tecidos, o que despertou o interesse da medicina — e, mais recentemente, da indústria de skincare.
Se existem tantos animais, por que justamente o salmão?
A resposta está na biologia.
O DNA do salmão tem uma estrutura muito parecida com a do DNA humano. Depois de passar por um rigoroso processo de purificação, esses fragmentos apresentam alta biocompatibilidade, ou seja, costumam ser bem aceitos pelo organismo e têm baixo risco de provocar reações imunológicas.
Foi justamente por isso que os pesquisadores começaram a estudar o PDRN há décadas — muito antes de ele virar tendência no skincare.
Os primeiros estudos investigavam seu uso na medicina para ajudar o corpo a reparar tecidos lesionados, e os resultados fizeram com que ele passasse a ser utilizado em situações como:
cicatrização de feridas;
tratamento de úlceras;
recuperação de tecidos após lesões;
queimaduras;
regeneração da pele após procedimentos dermatológicos.
Ou seja, antes de conquistar espaço nas prateleiras de skincare, o PDRN já era conhecido por médicos e pesquisadores como um aliado da regeneração tecidual.
De forma simples, o PDRN ajuda a pele a entrar em modo reparação.
Os estudos mostram que ele atua principalmente de duas maneiras:
1. Ajuda a pele a se recuperar
O PDRN reduz processos inflamatórios e favorece a regeneração dos tecidos. Na prática, isso pode significar:
menos vermelhidão;
recuperação mais rápida da pele;
um ambiente mais favorável para a produção de colágeno.
2. Fornece “blocos de construção” para as células
Quando o PDRN é degradado, ele libera pequenas moléculas que podem ser reutilizadas pelas células durante os processos de reparação.
Ou seja, ele não vira o seu DNA. Ele apenas fornece matéria-prima para que a própria pele se regenere.

Indiretamente, sim.
Os estudos mostram que o PDRN pode estimular a atividade dos fibroblastos, que são as células responsáveis por produzir colágeno. Isso ajuda a melhorar a cicatrização e a qualidade da pele.
Mas existe um detalhe importante: as evidências mais fortes vêm de aplicações injetáveis e de tratamentos realizados por profissionais, principalmente após procedimentos dermatológicos.

É aqui que a internet costuma simplificar demais.
Embora o PDRN seja promissor, ainda não existem evidências robustas de que um sérum consiga entregar os mesmos resultados observados nas aplicações injetáveis.
Isso não significa que os cosméticos com PDRN não funcionem. Significa apenas que seus efeitos tendem a ser mais sutis.
Porque o PDRN raramente vem sozinho.
A maioria dos séruns combina esse ingrediente com ativos já consagrados, como ácido hialurônico, ceramidas, peptídeos, niacinamida e centella asiatica.
Na prática, a melhora percebida costuma ser resultado da fórmula como um todo, e não apenas do PDRN.
A resposta curta é: os dois.
O PDRN não é um ingrediente milagroso, mas também não é apenas marketing.
🩺 Quando usado em procedimentos médicos, as evidências são bastante promissoras. Estudos mostram benefícios na cicatrização, na regeneração dos tecidos e na recuperação da pele após procedimentos dermatológicos.
🧴 Já nos cosméticos, o cenário é diferente. Os resultados iniciais são animadores, mas ainda faltam estudos clínicos robustos para comprovar que um sérum com PDRN, sozinho, entrega todos os benefícios que viralizaram nas redes sociais.
Depende da expectativa.
Se você espera um “botox em um frasco”, provavelmente vai se decepcionar.
Mas, se procura um sérum que ajude na hidratação, na recuperação da barreira cutânea e na melhora gradual da textura da pele, o PDRN pode ser uma boa aposta — especialmente quando faz parte de uma fórmula bem desenvolvida.
Só vale lembrar: ele não substitui os ativos com maior respaldo científico para prevenção do envelhecimento, como retinoides, vitamina C e, principalmente, o protetor solar.

Se você ficou curiosa para testar o ingrediente, estes são alguns dos produtos que mais ganharam destaque entre dermatologistas e entusiastas de K-Beauty:
🥇 Medicube PDRN Pink Peptide Serum
🥇 Anua PDRN Hyaluronic Acid Capsule Serum
🥇 VT Cosmetics PDRN 100 Essence
🥇 IOPE Bio-PDRN Caffeine Shot
🥇 Rejuran Turnover Ampoule
Vale um último lembrete: o sucesso desses produtos não acontece apenas por causa do PDRN. Em geral, eles combinam o ingrediente com outros ativos conhecidos por hidratar, fortalecer a barreira da pele e favorecer sua recuperação.
O PDRN não é um ingrediente revolucionário como algumas campanhas fazem parecer.
Mas também está longe de ser apenas marketing.
A ciência mostra que ele tem um potencial regenerador interessante — especialmente em procedimentos médicos. Já nos cosméticos, os resultados são promissores, mas ainda precisamos de estudos mais robustos para entender até onde esses benefícios realmente chegam.
A nossa conclusão é: vale mais comprar uma boa fórmula com PDRN do que comprar um produto apenas porque ele tem PDRN.
Fontes científicas
Akaberi SM et al. Polydeoxyribonucleotide in Skincare and Cosmetics: Mechanisms, Therapeutic Applications, and Advancements Beyond Wound Healing and Anti-aging. Journal of Skin and Stem Cell (2025).
Kim ST. Comparison of Polynucleotide and Polydeoxyribonucleotide in Dermatology: Molecular Mechanisms and Clinical Perspectives. Pharmaceutics (2025).
Revisão sobre aplicações clínicas e mecanismos dos polidesoxirribonucleotídeos em dermatologia. Applied Sciences (2025).
A beleza fica muito mais interessante quando a gente entende o porquê das coisas, né?
Nos vemos na próxima semana!
Beijos,
Ba & Ste 🤎
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